O Prédio

O Prédio do Museu

Acervo

Ramos de Azevedo, no projeto arquitetônico do Hospital da Força Pública (atual Museu de Polícia Militar), seguiu o mesmo método de abordagem que utilizou em projetos como os do Quartel de Polícia e do Asilo do Juqueri. O Conjunto de edifícios é conformado a um modelo, desenvolvido para a finalidade que visa a atender. O programa é definido pela ciência médica e as dimensões e desenvolvimento das contruções são comandadas pelas demandas de leitos e pelo orçamento disponível.

O hospital foi projetado dentro do princípio do sistema de pavilhões unidos através de galerias cobertas. Esses pavilhões eram em números de oitos, dispostos três a três nas laterais, um centrado na frente e outra atrás.

A Lei n 189, de 23 de agosto de 1893, autorizou o governo estadual a mandar contruir, anexas ao Quartel da Luz , as dependências necessárias á organização do Hospital da Força Pública, consignando a verba de 130:000$000, retificada pelo Decreto n 225, de 25 de dezembro do mesmo ano. Em terreno próximo ao quartel instalou-se, em 1896, a primeira fonte de energia elétrica da cidade. Fornecia, por meio de baterias, energia para as lâmpadas incandescentes dispostas em importantes setores do quartel e do Hospital da Brigada Policial. 20

O Hospital Militar foi contruído com a fachada principal voltada para a recém-aberta rua Guilherme Maw e para a entrada da cavalaria do Quartel de Polícia. A fachada sul volta-se para a rua João Teodoro, ao norte para a rua Jorge Miranda e a dos fundos para a rua da Cantareira.

O programa inicial, de acordo com a legenda em uma das plantas originais , constava de uma administração , localizada no pavilhão frontal; dos serviços sob o nome de ”economia”, situados no pavilhão dos fundos; das enfermarias, situadas nos pavilhões laterais; e dos banhos, agenciados na edificação implantada no centro do pátio.

O prédio administrativo tinha, no rés-do-chão o ingresso principal, o vestíbulo, a portaria e um depósito. No andar superior, a caixa da escada, sala das consultas, sala do médico , gabinete do médico, privata do médico, farmácia,laboratório farmacêutico, secretario, secretaria, gabinete diretor, diretório, outra privata, water-closet e uma peça disponível, sem denomiação.

A economia era composta da drogaria, almoxarifado, peça para o cozinheiro – ajudante, peça para o cozinheiro, refeitório, copa, despensa, cozinha, rouparia e water-closet.

foto antiga pb predio museu da polícia militar

Finalmente nas enfermarias, estavam o grande salão para os doentes, uma sala para cinco doentes, quarto para moribundos, quatro banhos, water-closet; terraços , outro banho, outro water-closet ; uma sala para o enfermereiro, tisanas e as escadas.

Levando em consideração que o Hospital da Força Pública foi projetado em anexo ao quartel , há que se verificar as diferenças e similaridades entre um e outro. Confirmando a hipótese de que tanto quartéis como hospitais têm modelos próprios a serem seguidos, as plantas e distribuições de ambos são completamente diferentes. No quartel, blocos contínuos são dispostos em quadra, em torno de um pátio, enquanto no hospital a estrutura é pavilhonar. Essa diferença básica decorre de que para o quartel, uma residência coletiva, o fundamental é o fluxo livre dos residentes. Os domitórios , peças acessórias estão voltados para o pátio , espaço que possibilita a reunião das tropas. Já no hospital, ao lado da perfeita acomodação do doente conforme os ditames médicos em vigor – em pavilhões arejados, fartamente insolados, num tamanho ótimo e cuja razão de existir se deve á noção da necessidade de separação das doenças -, é a circulação dos funcionários que deve ser fácil e articulada. Num, a população entra e sai, noutro ela permanece confinada ás dependências de tratamento, devendo ser atendida com presteza.

Ambos têm em comum o número de dois pavimentos, também conformado á ideia de que este é o melhor, pois permite uma fácil circulação. As áreas ocupadas pelo quartel e pelo hospital não são díspares. O volume e escala dos conjuntos se equivalem. Em suma, há grande unidade arquitetônica entre o quartel e o hospital, respeitadas a direfença e especificidade de cada programa. O detalhe da decoração do pavilhão de ingresso do hospital alude á condição militar da instituição e , ao mesmo tempo , á portada do pátio da cavalaria do quartel, que se encontrava á sua frente.

Mais uma vez Ramos de Azevedo imprimiu a marca distintiva de sua arquitetura : racionalismo, respeito rigoroso ao programa, simplicidade e referência historicista pertinente e apropriada ao tipo; atualização em relação aos preceitos sanitários e higinênicos. A arte se manifesta na interface ou na reunião dessas regras, as quais são seguidas á risca. Nessa visão, não há muito espaço para vôos de imaginação.

foto antiga pb área museu da polícia militar